Depois destas sessões promovidas pela ANPM, ficou uma convicção ainda mais forte: o setor do mirtilo já não precisa apenas de produzir bem. Precisa de pensar melhor.
Num mercado cada vez mais exigente, ter boa fruta já não chega. É essencial saber posicioná-la, defendê-la e vendê-la. O mirtilo português tem qualidade, mas essa qualidade só se transforma em valor quando é sustentada por estratégia, margem e reputação. É aí que a fileira se distingue. Não apenas na produção, mas na forma como lê o mercado e se prepara para ele.
Na gestão da exploração e na qualidade pré e pós-colheita, é também aí que tudo se ganha ou se perde. Uma colheita mal executada, uma decisão tomada tarde, uma avaliação incorreta do ponto de maturação ou uma operação mal afinada podem comprometer o resultado final. A qualidade que o consumidor encontra dias depois começa nas decisões que são tomadas no campo. E isso exige método, leitura técnica e capacidade de execução.
Outro dos sinais mais claros deixados por este encontro foi o peso crescente da investigação, da inteligência artificial e da robótica na agricultura. Sensores, visão computacional, modelos preditivos, armadilhas inteligentes e colheita robotizada deixaram de ser temas distantes. Hoje, são ferramentas concretas para tornar as explorações mais eficientes, mais previsíveis e menos dependentes de improviso. A agricultura está a mudar e a velocidade dessa mudança já se faz sentir no terreno.
A leitura que retiramos destes dois dias é simples. Os próximos anos vão distinguir quem apenas reage de quem verdadeiramente se prepara. E preparar, neste contexto, significa produzir com mais critério, gerir com mais clareza e decidir com mais antecipação.
Foi também muito positivo ver a presença de Shota Tsukoshvili, da Georgia Blueberry Growers Association, convidado pela Hortitool Consulting, como resultado de uma parceria construída ao longo de vários anos. É um sinal forte perceber que existe interesse internacional naquilo que os produtores portugueses estão a construir e a melhorar no terreno, e reforça o valor da ligação entre diferentes geografias que partilham os mesmos desafios e a mesma ambição de evolução.
Fica um agradecimento à ANPM por continuar a promover uma discussão tão importante para a competitividade do setor. Da parte da Hortitool Consulting, continuaremos a reforçar esta ligação entre estratégia, conhecimento técnico e realidade produtiva, sempre com o objetivo de contribuir para uma fileira mais preparada, mais sólida e mais valorizada.





