Estivemos no colóquio de pequenos frutos

O VI Colóquio Nacional da Produção de Pequenos Frutos reuniu 250 especialistas da academia, produção e indústrias de apoio num enriquecedor intercâmbio de conhecimento sobre o presente e o futuro do setor dos pequenos frutos. O evento decorreu em versão
online nos dias 21 e 22 de maio.

Na sessão de abertura o Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Rui Martinho, reconheceu que o setor dos pequenos frutos tem um contributo inegável para a balança comercial, gerando 247 milhões de euros em exportações, no ano 2020, ou seja, 15% do valor total das exportações nacionais de produtos hortofrutícolas. A framboesa contribuiu com 183 milhões de euros, representando 74% das exportações de pequenos frutos e cerca de 25% das exportações frutícolas portuguesas. O mirtilo teve um crescimento de 45,6% em valor com 32,5 milhões de euros e a amora já representa 19,5 milhões de euros.O tema do colóquio “A sustentabilidade da Produção de Pequenos Frutos” esteve presente de forma transversal nas várias sessões temáticas – “Material

Vegetal e Tecnologias de Produção”, “Rega, Fertilização e Sustentabilidade”, “Qualidade, Pós-colheita e Saúde Humana”, “Sanidade Vegetal”, “Grupo Operacional CompetitiveSouthBerries” -, nas sessões de posters, bem como na mesa-redonda e visitas técnicas virtuais, estas realizadas no segundo dia do evento. O colóquio foi uma organização conjunta do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, da Associação Portuguesa de Horticultura e do Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional.

Visão de futuro e desafios do cultivo de pequenos frutos

A Ásia pode ser o novo El Dorado para venda de amoras e framboesas e o consumo mundial de mirtilos pode triplicar a curto prazo. O que reserva o futuro para a fileira dos pequenos frutos? Que desafios e oportunidades a nível global?

Marta Batista, Global Director of Strategic Research and Technology Adoption da empresa Driscoll’s, apresentou a sua visão sobre este tema no

VI Colóquio Nacional da Produção de Pequenos Frutos, onde foi oradora principal. O elevado impacto das alterações climáticas na produção, com um aumento generalizado dos eventos extremos, e a diminuição na disponibilidade e redução da qualidade da água para rega surgem no topo da lista das ameaças ao cultivo de pequenos frutos. «No sudoeste do Alentejo, por exemplo, já vivemos os efeitos de redução de disponibilidade de água, e no Norte de África, Califórnia ou Austrália sentimos o mesmo problema, que afeta sobretudo os pequenos frutos em substrato (…) é um desafio difícil e todos na fileira devemos fazer mais para gerir melhor a água», apelou a especialista. A flutuação na disponibilidade de mão-de-obra, com tendência para escassez e aumento do seu custo, é outro dos grandes desafios que enfrentam todas as regiões produtoras.

Esta é, no entanto, uma fileira com um futuro promissor impulsionado pelo crescimento do consumo. Conveniência, alta densidade nutritiva e potencial para elevado sabor e qualidade da fruta são atributos que alinham os pequenos frutos com as preferências dos consumidores. Um estudo do U.S. Highbush Blueberry Council, citado por Marta Batista, estima que o consumo mundial de pequenos frutos atinja cerca de 17.000 milhões lb (pounds, medida inglesa), em 2024, face a 8.000 milhões lb previstas para 2022. O consumo do mirtilo poderá mesmo triplicar nos próximos anos, prevendo-se também um aumento exponencial do consumo de amoras e fram-
boesas sobretudo nos mercados asiáticos.

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